Câmara Municipal de Pelotas
Redação: Imprensa Câmara
Fotos: Fernanda Tarnac e Arquivo Câmara
Data: 12/08/2026
A sessão ordinária da Câmara, nesta quarta-feira (12), presidida por Marcelo Bagé e secretariada por Paulo Coitinho, foi marcada por críticas de parlamentares a iniciativas de colegas vereadores e pela instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), requerida por Cauê Fuhro Souto, para apurar possíveis irregularidades envolvendo o Canil Municipal. Na opinião dos que registraram queixas, determinados comportamentos são indevidos, equivocados e inoportunos.
César Brisolara, representante da vila Farroupilha na Câmara, alertou a dois parlamentares que estiveram naquela área da cidade, batendo em portas vazias ou gravando vídeos, que o local tem agente político e que, embora tentativas de aproximar moradores, as pessoas não vão se enganar. Criticou a Prefeitura por ainda não ter entregue 40 casas populares da Farroupilha a famílias que aguardam a nova moradia e por não dar as devidas explicações ou dialogar com os interessados.
Cauê Fuhro Souto foi outro parlamentar a queixar-se do comportamento de colega, atribuindo-o à política de desvalorização do trabalho legislativo. Informou sobre a ida de vereadora ao Executivo, acompanhada de assessoria e advogado, autorizada por secretário municipal, para coagir cargos de confiança e servidores, para não atenderem a convocações da CPI do Canil ou, se fossem depor, que falassem de acordo com orientações. “Isso é ameaça e está gravado. É grave, é crime”, afirmou, enfatizando que a Câmara tem o papel de fiscalizar. A CPI do Canil foi formalmente instaurada nesta quarta-feira. O requerimento conta com subscrição de 13 parlamentares. Em até cinco dias, todas as bancadas deverão indicar representante. A do PSD já indicou Daniel Fonseca e, a do União Brasil, Marcos Ferreira.
O vereador Marcos Ferreira lembrou que a Câmara precisa conviver de acordo com regras e que questões que comprometem a ética levam a população a desacreditar da política. Reportou-se ao juramento de posse dos parlamentares – fiscalizar – como determina a Lei Orgânica. Salientou que a ação da vereadora ameaçava a credibilidade da CPI e do Legislativo e que ela deveria responder perante o Código de Ética. “Temos que cumprir regramentos, trabalhar pelas pessoas, fazer oposição construtiva e debates respeitosos.” Marcos Ferreira solicitou a Cauê Fuhro Souto que disponibilizasse aos demais parlamentares o conteúdo da gravação, para que todos se inteirassem sobre a ocorrência. A sessão foi suspensa para reunião na sala da Presidência.
Outros assuntos
A vereadora Fernanda Miranda referiu-se ao período prolongado sem energia elétrica, pós-ciclone de quinta-feira (6), que muitas famílias e estabelecimentos de Pelotas e região ainda passam. De acordo com a parlamentar, a Equatorial Distribuidora poderia ter se organizado. “Não o fez, porque é uma empresa que visa ao lucro, não priorizando a vida das pessoas.” Salientou que resultaram fios caídos, eletrizados, podendo causar acidentes irreversíveis. Citou a zona rural, Fragata e Três Vendas como locais mais críticos e cobrou um cronograma, transparência e divulgação de serviços de parte da Equatorial. Também fez referências aos 20 anos da Lei Maria da Penha.
O vereador Marcelo Bagé criticou o Executivo pela falta de pagamento de dívidas. Lembrou que a empresa MS Serviços Gerais, contratada para limpeza na Casa de Passagem, não recebe há quatro meses. O local está sem higienização. Acrescentou a dívida com fornecedor de telhas, de R$ 10 mil, que impediu a entrega de material suficiente e necessário às famílias que tiveram as moradias destelhadas pelo ciclone da última quinta-feira. “O governo anunciou ter quitado todas as contas da administração anterior, mas faltou com a verdade. Essa não foi paga”, argumentou, acrescentando que “o Município ainda quer fazer novo empréstimo, endividando a cidade por mais 30 anos, para pagar promessas de campanha: viaduto da avenida Salgado Filho, ônibus elétricos, pavimentação do caminho dos ônibus.”