Carnaval ainda repercute na Câmara de Vereadores
O tema enredo da escola de samba Acadêmicos de Niterói, do Rio de Janeiro, foi dominante nas manifestações de vereadores na sessão ordinária desta quinta-feira (19), no Poder Legislativo pelotense, presidida por Michel Promove (PP). Moção de repúdio, de autoria de Daniel Fonseca (PSD), aprovada por dez votos contra quatro, desencadeou uma série de comentários.

Nove parlamentares discutiram a matéria, começando pelo próprio autor, vereador Daniel Fonseca, reafirmando que a escola de samba expôs a família, afrontou a fé e convicções, fez propaganda eleitoral antecipada, utilizou recursos públicos, manifestou intolerância religiosa. “Foram diversos crimes. Esse é o Brasil que não quero. Faltou respeito.”
Para o vereador Ronaldo Quadrado (PT), a escola fez uma crítica ao conservadorismo. O parlamentar afirmou defender a liberdade de expressão e artística. Votou contra a moção, enquanto Júnior Fox (PL) frisou que o tema levou à passarela um ataque às crenças das pessoas e que Carnaval não é isso, mas sim alegria e sustento para muitas famílias.
O vereador César Brisolara (PSB) fez considerações a respeito da história. “O Carnaval discute, principalmente, o que a história já trouxe.” Afirmou que não é a favor da premissa que a arte tudo pode, pois há limites como em toda a expressão. “O Carnaval é uma aula de História e a Sapucaí mostra os temas”, salientou.
Para o vereador Michel Promove, o Carnaval representa o giro da economia e, por isso, recebe incentivos. Avaliando a pauta em discussão, salientou que não considera razoável e proporcional o Carnaval carioca levar à passarela temas como o da Acadêmicos de Niterói. “Diante da polarização, de um ano eleitoral e do subsídio pago pelo Poder Público, não é coerente.” Também criticou as motociatas promovidas há algum tempo pela corrente oposta à atual. O Rio de Janeiro é impulsionado pela indústria do turismo. O Carnaval do Rio é assunto nacional e até fora do país. Por isso, deve ter sua responsabilidade.
O vereador Marcelo Bagé (PL) lembrou que a Acadêmicos de Niterói utilizou R$ 1 milhão de verba pública e tripudiou a família e a convicção religiosa, promovendo ideologia política. Rafael Amaral (PP) lembrou que alguns carnavais atacam cristãos e que não lhe parece justo uma entidade carnavalesca ser favorecida com dinheiro público para promover candidato. Em um ano eleitoral, isso não é correto, além de agressão à família brasileira e a quem é cristão, segundo a interpretação do parlamentar.
O vereador Jurandir Silva (PSol) questionou a validade do assunto ser levado ao Legislativo. Para ele, os temas das escolas são manifestações artísticas, cujo limite é o crime. “As pessoas podem não gostar, mas manifestação artística não é crime.” Para Ivan Duarte (PT), a crítica da escola carioca não foi a nenhuma religião, foi ao falso moralismo. Quanto a dinheiro público, afirmou que todas as agremiações receberam o mesmo valor, que é um investimento à economia do Rio de Janeiro. Sobre campanha antecipada discordou, preferindo chamar de homenagem.
Comunicações de lideranças
O vereador César Brisolara manifestou cumprimentos a todos os envolvidos com o evento do Carnaval de passarela do município, salientando a participação das escolas, blocos e bandas campeãs desta edição. Em protesto, registrou não estar de acordo e sua insatisfação com o resultado da votação proposta pela Associação das Entidades Carnavalescas de Pelotas (Assecap). A entidade, organizadora do evento em conjunto com a Prefeitura, estabeleceu o empate entre Dona da Noite e Kibandaço no concurso de bandas carnavalescas na passarela do samba.
O vereador Michel Promove expôs a mesma interpretação e também parabenizou o Carnaval pelotense, realizado e competindo nas mesmas datas da festa popular nacional. Também manifestou seu reconhecimento com o Poder Executivo em relação ao gerenciamento para organização de toda a programação e premiação das entidades vencedoras dos concursos. Repudiou a decisão da Assecap, por conta da falta de um critério de desempate.